Promotores da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) foram informados de que não terão papel na investigação do tiroteio fatal cometido por um agente federal de imigração em Minneapolis, segundo duas fontes com conhecimento do assunto.
De acordo com as fontes, a liderança da Divisão de Direitos Civis — supervisionada por Harmeet Dhillon — comunicou aos integrantes da seção criminal que não haverá investigação conduzida pelo setor. Em casos de grande repercussão envolvendo mortes causadas por agentes da lei, é comum que promotores da divisão se desloquem até o local. Neste episódio, no entanto, apesar de procuradores de carreira terem se oferecido para viajar a Minneapolis, eles teriam sido orientados a não fazê-lo.
Embora investigações sobre uso excessivo da força possam ser conduzidas apenas por um escritório de procurador federal, sem envolvimento direto da Divisão de Direitos Civis, é tradicional que essa divisão lidere casos de grande visibilidade, como o ocorrido em Minnesota. A decisão também levanta dúvidas sobre até onde irá a investigação do FBI.
Na quinta-feira, o DOJ anunciou que o FBI está à frente da apuração da morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, baleada por um agente do ICE. Imagens de vídeo mostram o agente — identificado como Jonathan Ross — disparando três vezes contra o carro no momento em que Good começava a sair do local.
Outros vídeos sugerem que os agentes não prestaram socorro médico imediato após os disparos. Em uma das gravações, policiais impedem um homem que se identificou como médico de se aproximar da vítima.
O caso gerou protestos em diversas cidades dos EUA, como Nova York, Miami, Los Angeles e Detroit. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que o agente agiu em legítima defesa e chegou a classificar o episódio como um ato de “terrorismo doméstico”, declaração que provocou forte reação de autoridades locais. O prefeito de Minneapolis chamou a versão de “absurda”.
Na sexta-feira, o governo Trump divulgou um novo vídeo, supostamente gravado pelo próprio agente, alegando que as imagens mostram Ross sendo atingido pelo veículo. O Departamento de Justiça, porém, evitou afirmar oficialmente que houve legítima defesa, limitando-se a declarar que o uso de força letal pode ser justificado em determinadas circunstâncias.
Especialistas apontam que, desde o início do atual governo, a Divisão de Direitos Civis tem reduzido sua atuação em casos de uso excessivo da força, inclusive minimizando condenações recentes de policiais em outros estados.
Fonte: CBS

