Com tantos métodos contraceptivos disponíveis no mercado, não há motivos para você passar por sustos e preocupações, muito menos se privar de uma vida sexual saudável.
Esquecida? Sistemática? Solteira? Casada? Muitos afazeres? Vida sexual ativa?
Não importa qual seja o seu perfil, há sempre uma opção (ou até mais de uma) contraceptiva que se encaixa perfeitamente ao seu ritmo de vida. De acordo com o ginecologista e obstetra João Tadeu Leite dos Reis, a mulher precisa levar em consideração suas características pessoais e sociais. Mas antes de correr até a farmácia mais próxima e ir pedindo aleatoriamente um anticoncepcional, é obrigatório fazer uma visita a um ginecologista. Essa é a única maneira segura de encontrar um método que atenda as suas necessidades e não afete a saúde. “Todos eles são válidos, cada um com suas vantagens e desvantagens. O momento de vida que a paciente está passando é que vai determinar o que é mais adequado”, adverte o Dr. Reis.
Entre os métodos disponíveis estão os hormonais, os de barreira, os intra-uterinos, os naturais e o cirúrgico. De maneira bem simplificada, a ginecologista Elizabeth Dobao, diretora da Clínica Curarte (RJ), explica que os hormonais são os mais procurados por mulheres com boa saúde, pois podem ocasionar alguns efeitos colaterais; os de barreira são momentâneos e os únicos que previnem contra DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e AIDS; os intra-uterinos, normalmente, são utilizados por mulheres com prole já constituída e que não querem usar um tipo de curto prazo; o cirúrgico é para pacientes que já tiveram filhos e têm absoluta certeza de que não querem outros; e os naturais exigem disciplina e ciclos menstruais regulares.
Pílula
21 comprimidos orais que combinam hormônios artificiais – estrógeno e progestágeno.
Como funciona:
Além de inibir a ovulação, torna o muco servical espesso, dificultando a passagem dos espermatozóides.
Modo de usar:
Todos os dias, a mulher deve tomar um comprimido da cartela, sempre no mesmo horário.
Indicação:
Para quem é disciplinada, pois o comprimido precisa ser ingerido todos os dias na mesma hora.
Vantagens
Regula o ciclo menstrual - com sangramento em menor quantidade e durante menos tempo, diminui a intensidade das cólicas menstruais, previne anemia e reduz a incidência de câncer de endométrio, câncer de ovário, cistos de ovário, doenças mamárias benignas e miomas uterinos.
Desvantagens
Requer motivação e uso diário, já que o esquecimento aumenta o índice de falha, pode postergar o retorno à fertilidade e não protege contra DST e AIDS.
efeitos colaterais
Náuseas, dor de cabeça leve, sensibilidade mamária, leve ganho de peso e alteração de humor.
Anel
Vaginal
Anel plástico flexível e transparente, com diâmetro externo de 54 mm e espessura de 4 mm, que libera estrógeno e progestágeno direto na parede vaginal.
Como funciona
Libera aos poucos os hormônios que impedem a ovulação.
Modo de usar
Cada anel é destinado a um ciclo de uso (que compreende três semanas de utilização), seguidas de uma semana sem o anel. É inserido pela própria mulher, como se fosse um absorvente interno.
Indicação
Para as mulheres que não querem ter a o-brigação diária de ingerir o comprimido.
Vantagens
Diminui o fluxo menstrual, a freqüência de cólicas, a incidência de efeitos colaterais é baixa e dispensa a ingestão oral diária.
Desvantagens
Exige uma habilidade manual para ser colocado, algumas mulheres sentem desconforto e não impede a contaminação de doenças sexuais.
Efeitos colaterais
Dor de cabeça, vaginite e dor abdominal.
Injetável
Uma injeção de hormônios que pode ser feita mensalmente ou trimestralmente, dependendo da formulação. Os hormônios utilizados são parecidos com os da pílula anticoncepcional.
Como funciona
Da mesma maneira que a pílula.
Modo de usar
Os hormônios em forma líquida são injetados via intramuscular no bumbum com o auxílio de uma injeção.
Indicação
Quem não quer ou não tem disciplina para o uso de anticoncepcional oral.
Vantagens
É discreto e, como não requer rotina diária, evita esquecimento. E não interfere no prazer sexual.
Desvantagens
Sangramento irregular (excessivo ou escasso) em alguns casos, demora para a fertilidade voltar, não previne contra DST e AIDS e precisa ser aplicado em uma farmácia.
Efeitos colaterais
Alteração do ciclo menstrual, ganho de peso e dor de cabeça.
Adesivo
Anticoncepcional sob a forma de adesivo, com aproximadamente quatro centímetros de largura e altura, que deve ser colado na pele (braços, nádegas ou abdômen).
Como funciona
O adesivo libera aos poucos no organismo da mulher os hormônios (estrógeno e progestágeno) que evitam a ovulação e dificultam a penetração dos espermatozóides no óvulo.
Modo de usar
A mulher deve colar o adesivo sobre a pele e deixar durante sete dias. No oitavo, deve removê-lo e aplicar outro imediatamente. O adesivo deve ser utilizado durante 21 dias seguidos. Depois, a mulher descansa uma semana e volta a usá-lo.
Indicação
Para pacientes que não se adaptam a pílula.
Vantagens
Tem os mesmos benefícios da pílula. Além disso, como os hormônios são absorvidos pela derme, eles não sobrecarregam o fígado, como geralmente ocorre com os medicamentos orais.
Desvantagens
Não pode ser utilizado por mulheres que pesam mais do que 90 kg porque, segundo estudos, a freqüência de gravidez aumenta. Além disso, não previnem contra DST/AIDS.
Efeitos colaterais
Dor de cabeça, náusea e reação alérgica ao adesivo.
Implante
Pequeno bastonete, de 4 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro, que é inserido embaixo da pele.
Como funciona:
A haste contém o hormônio progestágeno, que é liberado lentamente em doses cons-tantes. Com isso, a mulher pára de ovular e aumenta a viscosidade do muco cervical, que inibe a penetração dos espermatozóides.
Modo de usar:
O implante é colocado sob a pele na parte superior do braço. O procedimento só pode ser feito por um ginecologista.
Indicação:
Pacientes que não podem usar estrógeno ou para aquelas que são indisciplinadas.
Vantagens
Para quem quer dar adeus à menstruação é uma ótima opção. Além disso, ele reduz a tensão pré-menstrual e tem validade de três anos.
Desvantagens
Não previne contra DST e AIDS.
Efeitos colaterais
Falta de menstruação, dor nas mamas, tonturas, náuseas e diminuição da libido.
Ligadura de
Trompas
Cirurgia feita na mulher com o objetivo de bloquear as trompas. Pode ser feita por uma secção, cauterização, anéis ou clips.
Como funciona
Com a obstrução nas trompas, o esperma-tozóide é impedido de chegar ao óvulo.
Modo de usar
A cirurgia pode ser feita através de uma pequena incisão abdominal, por laparoscopia ou por uma incisão no fundo de saco posterior da vagina.
Indicação
Segundo o Ministério da Saúde, a técnica só é permitida em mulheres acima de 25 anos e com dois filhos, por ser um método definitivo para quem não quer mais ter filhos. Também recomendada para pessoas com problemas de saúde que ocasionem em gravidez de risco.
Vantagens
Não apresenta efeitos colaterais a longo prazo, não interfere no prazer sexual, protege contra o câncer de ovário e reduz o risco de doença inflamatória pélvica.
Desvantagens
É permanente e pode causar arrependimento, pois, a cirurgia de reversão é complexa e cara. Efeitos colaterais de uma cirurgia, procedimento caro e não protege contra DST e AIDS.
Efeitos colaterais
Dor, nos primeiros dias, decorrente do procedimento cirúrgico.
Camisinha
masculina
Revestimento de borracha fina, que é colocado no pênis quando o mesmo está enrijecido.
Como funciona
Ela não permite que o esperma entre em contato com a vagina e também impede que microorganismos causadores das DST e AIDS sejam transmitidos de um parceiro para outro.
Modo de usar
A camisinha é desenrolada sobre o pênis ereto antes da penetração.
Indicação
Para todas as pessoas.
Vantagens:
Não apresentam os efeitos colaterais comuns aos métodos hormonais, dispensa manutenção diária já que é utilizado no momento da relação sexual e previne DST e AIDS. Além disso, ajuda a prolongar o tempo de ejaculação.
Desvantagens
Diminuição do prazer e alguns homens reclamam que não conseguem manter a ereção.
Efeitos colaterais
Alergia ao látex, que pode provocar verme-lhidão ou inchaço.
Camisinha
feminina
Uma bolsa de plástico leve e frouxa, que se adapta à vagina e protege o colo do útero, a vagina e a genitália externa.
Como funciona
Da mesma forma que a masculina.
Modo de usar
A camisinha possui um anel leve e flexível em cada extremidade. A parte fechada do preservativo feminino é inserida até o fundo da vagina. O anel aberto permanece do lado de fora, protegendo os lábios e a base do pênis durante o ato sexual.
Indicação
Deve sempre ser utilizada.
Vantagens
Pode ser colocada até oito horas antes da relação sexual, impede a transmissão de doenças sexuais e a mulher não tem os efeitos colaterais dos métodos hormonais.
Desvantagens
Difícil adaptação, diminuição do prazer, inapropriado para algumas posições sexuais e é mais caro que a camisinha masculina.
Efeitos colaterais
Alergia ao produto.
Diafragma
Uma borracha côncava com borda flexível, que é colocada dentro da vagina, associada a um espermicida.
Como funciona
Impede a passagem dos espermatozóides.
Modo de usar
O dispositivo é introduzido dentro da vagina até seis horas antes da transa e retirado 12 horas após.
Indicação
Pacientes que não queiram usar método hormonal ou DIU ou tenham um ritmo de vida sexual irregular.
Vantagens
Segura o fluxo menstrual quando usado durante a menstruação, oferece certa proteção contra DST e AIDS, pode ser inserido até seis horas antes do ato sexual, é reutilizável e dura cerca de cinco anos. A reversibilidade para engravidar é imediata.
Desvantagens
Necessita exame pélvico para determinar o tamanho adequado, pode ser difícil removê-lo e exige manutenção – precisa ser lavado com água e sabão neutro e guardado dentro de um estojo próprio.
Efeitos colaterais
O espermicida pode causar irritação. A mulher pode ainda apresentar dor pélvica, cólicas ou retenção urinária.
A camisinha estourou? Você se esqueceu da pílula? Não utilizou outro método contraceptivo? O jeito é recorrer à pílula do dia seguinte, que pode ser usada até 72 horas depois da transa. Ela dificulta a mobilidade do óvulo e dos espermatozóides nas trompas e deixa a parede que reveste o útero mais hostil à fixação dos mesmos. Porém, não é uma saída que pode ser utilizada sempre, pois, o uso rotineiro dessa pílula pode causar irregularidade no ciclo menstrual, eficácia diminuída e ocasionar problemas vasculares. Outros desconfortos podem ser vômitos, náusea e dor de cabeça.
Atenção: As informações contidas nesta reportagem foram prestadas por profissionais médicos. No entanto, a escolha de qualquer método contraceptivo deve ser feita com a orientação do seu médico, de acordo com as carac-terísticas do seu organismo.

