O presidente de esquerda da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que a Venezuela “vai implodir” caso os Estados Unidos passem a comandar o país sul-americano por vários anos, como sugeriu recentemente o presidente norte-americano Donald Trump. A declaração foi dada em entrevista à CBS News na quinta-feira.
Petro reagiu a comentários de Trump ao *The New York Times*, nos quais o presidente dos EUA disse esperar que a supervisão americana sobre a Venezuela dure “muito mais” do que um ano. “Se isso acontecer, a sociedade venezuelana vai implodir”, disse Petro.
Segundo o presidente colombiano, a questão vai além da Venezuela e envolve a visão de que os Estados Unidos teriam direito sobre os recursos não apenas da América Latina, mas do mundo. “Há um ponto crucial que não diz respeito só à Venezuela, mas à ideia de que os EUA têm direito sobre os recursos da América Latina — e do planeta”, afirmou.
O governo Trump declarou que pretende assumir o controle da venda do petróleo venezuelano e tem pressionado empresas americanas a investir bilhões de dólares na reconstrução da infraestrutura petrolífera do país. Trump deve se reunir nesta sexta-feira com executivos do setor de petróleo na Casa Branca para discutir o tema.
Petro e Trump conversaram pela primeira vez na quarta-feira, após o presidente americano ameaçar ações militares contra a Colômbia no contexto do combate ao narcotráfico. A ligação ajudou a reduzir as tensões entre os dois líderes, e Trump chegou a convidar Petro para visitar a Casa Branca.
O presidente colombiano também fez críticas à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, com quem Trump afirmou que pretende se encontrar na próxima semana. Questionado se confiaria ou apoiaria Machado como líder da Venezuela, Petro disse que já a havia convidado uma vez e que ela recusou. “Fiquei obviamente surpreso que Trump pensasse o mesmo que eu”, afirmou.
Após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA, Trump declarou não acreditar que Machado tenha apoio suficiente dentro do país para governar. Com isso, a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, foi empossada como presidente interina.
Apesar disso, setores da oposição afirmam que Machado liderava pesquisas com 93% das intenções de voto antes da eleição do ano passado, na qual Maduro declarou vitória — resultado contestado pelos EUA e pela própria Machado. Impedida de concorrer, a candidata apoiada por ela é considerada por Washington e observadores internacionais como vencedora de cerca de 70% dos votos.
Fonte: CBS

