Chegou ao fim uma disputa entre a Disney e o governo da Flórida depois de mais de dois anos de brigas que começaram por divergências ideológicas depois que a empresa se opôs publicamente a uma lei estadual e que terminaram na Justiça.
As duas partes chegaram a um acordo que significará o cancelamento do processo judicial e um investimento, por parte da Disney, de US$ 17 bilhões no estado (cerca de R$ 91 bilhões) que deve incluir a construção de um novo parque temático.
Na quarta-feira, 12, os cinco membros do conselho nomeados por DeSantis para o Distrito de Supervisão de Turismo da Flórida Central votaram por unanimidade pela aprovação de um acordo de desenvolvimento de 15 anos no qual o distrito se comprometeu a fazer melhorias na infraestrutura em troca do investimento da Disney de até US$ 17 bilhões na Disney World nas próximas duas décadas.
O distrito da Disney presta serviços municipais como combate a incêndios, planejamento e controle de mosquitos, entre outras coisas, e era controlado por apoiadores da Disney antes da aquisição pelos nomeados de DeSantis.
Segundo o acordo, a Disney será obrigada a doar até 100 acres (40 hectares) dos 24.000 acres (9.700 hectares) da Disney World para a construção de projetos de infraestrutura controlados pelo distrito. A empresa também precisará conceder pelo menos metade de seus projetos de construção a empresas sediadas na Flórida e gastar pelo menos US$ 10 milhões em moradias populares na região central da Flórida.
A Disney seria então aprovada para construir um quinto grande parque temático na Disney World e mais dois parques menores, como parques aquáticos, se assim o desejasse. A empresa poderia aumentar o número de quartos de hotel em sua propriedade de quase 40 mil quartos para mais de 53 mil quartos e aumentar a quantidade de espaço comercial e de restaurantes em mais de 20%. A Disney manterá o controle das alturas dos edifícios devido à necessidade de manter um ambiente envolvente.
Os líderes da indústria turística de Orlando elogiaram o acordo, dizendo aos membros do conselho distrital que ele trará empregos, turistas e atenção ilimitados para o centro da Flórida.
Início da disputa
A briga começou em 2022, quando a Disney se manifestou publicamente contra a lei "Don´t Say Gay" ("Não Diga Gay"). A polêmica medida, sancionada naquele ano pelo governador ultraconservador Ron DeSantis, proíbe qualquer tipo educação sexual em escolas da Flórida.
Seguindo uma onda de críticas públicas, a Disney, maior empregador do estado, se opôs fortemente à medida, de autoria de DeSantis, e disse que iria à Justiça para combatê-la.
Como retaliação, o governador retirou benefícios fiscais e tomou o controle do distrito autônomo da Disney World -- desde 1967, a Disney tinha o status de distrito autônomo na Flórida, o que significa que a região onde ficam os parques e resorts da empresa tinha um governo próprio, com autonomia do governo estadual da Flórida.
Em reação, a Disney abriu então um processo contra DeSantis pedindo de volta o controle da região.
Fonte: ABC News.