Quando decidi mudar para o exterior eu sabia que tinha um preço a pagar.
Ninguém faz uma mudança tão radical deve ter a ilusão de que tudo serão rosas. Os espinhos também eram previstos.
Sempre tive raízes profundas e quando sai do Brasil sempre tive a consciência que iria perder alguma coisa.
Mas o que se perde?
Quando saímos do Brasil já sabemos que vamos perder casamentos, batizados e aniversários. Mas não é só isto.
Você envelhece longe dos seus amigos e quando os reencontra é um choque, porque eles espelham você, que está acostumado com sua imagem.
Você deixa de acompanhar o crescimento das crianças da família, dos filhos dos filhos dos amigos. É uma parte muito chata.
Também não vai estar lá quando seus velhos, seus familiares ou seus amigos adoecerem e precisarem de você de uma hora pra outra.
E também pode perder os momentos de adeus, quando um ente querido deixa esta vida, o que já aconteceu comigo quando faleceu meu sobrinho. Cheguei meia hora depois do sepultamento.
Vocêtem que contar com a bondade e colaboração das pessoas para te informarem o que está acontecendo e nem sempre tem a resposta no tempo que gostaria e pior, as vezes não tem informação nenhuma, porque obviamente as pessoas priorizam o que estão fazendo no momento e não serem seus olhos a distância.
Facebook, Skype e WhatsApp às vezes não são suficientese você depende de outros para te colocarem no ar.
E por mais que as pessoas postem no Facebook fica difícil de fazer uma cronologia dos acontecimentos, entender completamente o que está acontecendo para poder ter empatia e se relacionar.
Pior ainda quando não postam nada. Você fica mais por fora ainda.
Mas obviamente não se tem o contato do dia-a-dia.
O digital ajuda, mas não é tudo. Ainda tenho que dar graças a Deus que estou vivendo a era digital. No início era mais difícil ainda.
E eu, que odeio despedidas tive que aprender que viver no exterior é uma eterna despedida. Você se despede dos que deixou no seu país de origem e também dos amigos que fez no novo lugar, que nem sempre estão aqui para sempre. É um ótimo exercício para quem tem a dificuldade que tenho.
Tento sempre me colocar disponível para familiares e amigos, mas nem todos tem a mesma desenvoltura no mundo digital. Outros já são fechados no mundo real, o que dirá no virtual.
Mas é o que temos para o momento, é uma coisa que saberia que aconteceria e vou ter que aprender a driblar.
Nos últimos dias isto ficou muito forte.
Meu pai hospitalizou, o pai do meu genro faleceu, meu cunhado está hospitalizado também … tenho trêscasamentos pela frente que muito provavelmente não vou poder ir. Difícil, viu!
E o pior de tudo é que nem sempre somos compreendidos.
A minha vida hoje é aqui. Meus filhos emeus netos estão aqui e eu penso que precisam de mim (espero que eles pensem o mesmo).
É a vida que escolhi e o preço que tenho que pagar.
Cabeça erguida e fé no futuro na pureza dos meus propósitos.
Sempre é possível diminuir distâncias quando as duas pontas querem.
Um abraço
Silvana
Quando decidi mudar para o exterior eu sabia que tinha um preço a pagar.
Ninguém faz uma mudança tão radical deve ter a ilusão de que tudo serão rosas. Os espinhos também eram previstos.
Sempre tive raízes profundas e quando sai do Brasil sempre tive a consciência que iria perder alguma coisa.
Mas o que se perde?
Quando saímos do Brasil já sabemos que vamos perder casamentos, batizados e aniversários. Mas não é só isto.
Você envelhece longe dos seus amigos e quando os reencontra é um choque, porque eles espelham você, que está acostumado com sua imagem.
Você deixa de acompanhar o crescimento das crianças da família, dos filhos dos filhos dos amigos. É uma parte muito chata.
Também não vai estar lá quando seus velhos, seus familiares ou seus amigos adoecerem e precisarem de você de uma hora pra outra.
E também pode perder os momentos de adeus, quando um ente querido deixa esta vida, o que já aconteceu comigo quando faleceu meu sobrinho. Cheguei meia hora depois do sepultamento.
Vocêtem que contar com a bondade e colaboração das pessoas para te informarem o que está acontecendo e nem sempre tem a resposta no tempo que gostaria e pior, as vezes não tem informação nenhuma, porque obviamente as pessoas priorizam o que estão fazendo no momento e não serem seus olhos a distância.
Facebook, Skype e WhatsApp às vezes não são suficientese você depende de outros para te colocarem no ar.
E por mais que as pessoas postem no Facebook fica difícil de fazer uma cronologia dos acontecimentos, entender completamente o que está acontecendo para poder ter empatia e se relacionar.
Pior ainda quando não postam nada. Você fica mais por fora ainda.
Mas obviamente não se tem o contato do dia-a-dia.
O digital ajuda, mas não é tudo. Ainda tenho que dar graças a Deus que estou vivendo a era digital. No início era mais difícil ainda.
E eu, que odeio despedidas tive que aprender que viver no exterior é uma eterna despedida. Você se despede dos que deixou no seu país de origem e também dos amigos que fez no novo lugar, que nem sempre estão aqui para sempre. É um ótimo exercício para quem tem a dificuldade que tenho.
Tento sempre me colocar disponível para familiares e amigos, mas nem todos tem a mesma desenvoltura no mundo digital. Outros já são fechados no mundo real, o que dirá no virtual.
Mas é o que temos para o momento, é uma coisa que saberia que aconteceria e vou ter que aprender a driblar.
Nos últimos dias isto ficou muito forte.
Meu pai hospitalizou, o pai do meu genro faleceu, meu cunhado está hospitalizado também … tenho trêscasamentos pela frente que muito provavelmente não vou poder ir. Difícil, viu!
E o pior de tudo é que nem sempre somos compreendidos.
A minha vida hoje é aqui. Meus filhos emeus netos estão aqui e eu penso que precisam de mim (espero que eles pensem o mesmo).
É a vida que escolhi e o preço que tenho que pagar.
Cabeça erguida e fé no futuro na pureza dos meus propósitos.
Sempre é possível diminuir distâncias quando as duas pontas querem.
Um abraço
Silvana

