Editorial publicado no The New York Times do dia 26 de Janeiro de 2012
Residentes hispânicos e defensores dos direitos civis levantaram alarmes durante anos sobre a polícia de East Haven, em Connecticut. Suas reivindicações ganharam confirmação de sobra no dia 24 de janeiro.
O Federal Bureau of Investigation (FBI) prendeu um sargento e três oficiais acusados de aterrorizar bairros hispânicos da cidade, parando e detendo pessoas, invadindo empresas sem justa causa, e batendo em pessoas algemadas – até mesmo pressionando a cabeça de um homem contra uma parede.
As acusações confirmaram o que o Departamento de Justiça já havia informado em dezembro, acusando a polícia de East Haven por “policiamento generalizado e tendencioso, buscas e apreensões inconstitucionais, e o uso de força excessiva.” Isso tornou-se mais chocante quando o prefeito, John Maturo Jr., foi questionado por um repórter sobre como ele iria reagir às prisões injustas, que respondeu ao repórter que ele poderia comer tacos no jantar para colaborar com a comunidade latina. Primeiro, ele disse que estava brincando. Quando se deu conta de que a piada de humor negro foi a resposta errada diante de gravíssimas acusações de brutalidade policial, ele disse que estava arrependido por seu “comentário de mau gosto”.
Mas a desculpa não é o suficiente. Maturo, o prefeito, deveria agora renunciar. Ele tem demonstrado uma impressionante incapacidade para compreender a gravidade do escândalo em que seu governo está envolvido e tem sido fatalmente comprometido por seu apoio quase explícito com o departamento de polícia contaminado. A observação repugnante do prefeito é o “de menos”. Este caso é sobre a brutalidade e a opressão institucional.
O caso de East Haven é apenas uma pequena parte se comparada a outras histórias de imigração, tão trágicas como esta, onde latinos, principalmente hispânicos, são tratados como suspeitos, injustamente, e abusados por autoridades locais e do estado. Sem contar com as leis que surgem, dando mais direitos a policiais locais para perseguir imigrantes ilegais presumidamente. O “racial-profiling” (a discriminação contra outras raças) parece estar florescendo cada vez mais. E apesar da administração Obama ter intensificado os esforços para combater situações como esta, o julgamento injusto contra o próximo parece ainda prometer longas lutas.

